Livro sobre o programa ReabilitaCão é lançado e reforça modelo de ressocialização no sistema prisional catarinense
O trabalho que une ressocialização de pessoas privadas de liberdade e proteção animal ganhou registro em livro. A policial penal Bruna Longen lançou, na noite de quinta-feira (5), a obra “ReabilitaCão: cães em situação de abandono e as prisões”, que apresenta a trajetória e os resultados do programa criado por ela dentro do sistema prisional de Santa Catarina. O evento ocorreu na Livraria Catarinense, no Shopping Beiramar, em Florianópolis, e reuniu autoridades, colegas de trabalho, amigos e familiares da autora.
Participaram do lançamento o diretor-geral da Polícia Penal de Santa Catarina, Maicon Alves, a diretora-geral adjunta Samira Lopes, e o superintendente regional da Grande Florianópolis, Kelvin Diehl, além de servidores da instituição e convidados.
A publicação reúne experiências, pesquisas acadêmicas e relatos sobre a iniciativa que começou como um projeto piloto e hoje se consolidou como uma política pública de reinserção social no Estado. O lançamento marca mais um capítulo da história do programa, que vem ganhando reconhecimento dentro e fora do sistema penitenciário.
Idealizado por Bruna Longen, o ReabilitaCão surgiu a partir da percepção de dois problemas sociais recorrentes: a reincidência criminal e o grande número de cães abandonados nas ruas. A proposta foi unir essas duas realidades em uma iniciativa capaz de gerar transformação para pessoas e animais.
“Eu sinto que eu só sou um instrumento. Quando a gente sente que tem uma missão de fazer algo a mais na nossa profissão e na nossa vida. Em 2019 eu percebi que dava para unir essas duas problemáticas nacionais: o alto índice de reincidência criminal no Brasil e o grande número de cães abandonados nas ruas”, relatou a autora durante o lançamento.

Um programa que une ressocialização e proteção animal
Desenvolvido pela Polícia Penal de Santa Catarina, o ReabilitaCão promove a ressocialização de pessoas privadas de liberdade por meio do cuidado com cães resgatados em situação de abandono ou maus-tratos. Dentro das unidades prisionais, os internos passam a assumir responsabilidades diárias com os animais, criando vínculos, disciplina e senso de empatia.
Além do cuidado com os cães, o programa também oferece capacitação profissional em áreas relacionadas ao manejo animal, como banho e tosa, adestramento e auxiliar veterinário, ampliando as possibilidades de reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
A iniciativa nasceu como projeto piloto no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí e, diante dos resultados positivos, foi institucionalizada em 2024 como programa de Estado dentro da política penitenciária catarinense.
Da pesquisa acadêmica ao livro
Segundo a autora, a ideia do livro surgiu a partir da própria trajetória do programa e da pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em políticas públicas, quando buscou comprovar cientificamente os impactos da iniciativa dentro do sistema prisional. “Para convencer uma gestão pública de que algo funciona, é preciso responsabilidade e muito estudo. Foi por isso que levei o ReabilitaCão para o mestrado, para demonstrar que esse modelo realmente traz resultados”, explicou.
A publicação, que inicialmente não fazia parte dos planos da policial penal, acabou surgindo após o interesse de uma editora em registrar a experiência e ampliar a divulgação do programa para outros estados. “O livro foi uma surpresa para mim. Nunca foi algo planejado. Mas ele se tornou mais uma forma de fazer o ReabilitaCão chegar mais longe e mostrar que é possível transformar realidades”, afirmou.
Histórias que ultrapassam os muros do sistema prisional
Para Bruna Longen, o lançamento da obra representa mais do que uma conquista pessoal ou acadêmica. É também o reconhecimento de uma iniciativa que impacta a vida de pessoas privadas de liberdade, de animais resgatados e da própria sociedade. “Hoje eu tenho a sensação de missão cumprida. Aquela sementinha plantada lá atrás está se espalhando, não só em Santa Catarina, mas pelo Brasil. A gente está aqui de passagem e precisa deixar algo positivo por onde passa”, disse, emocionada.
Com o livro publicado pela Giostri Editora, a autora espera que a experiência catarinense inspire novas iniciativas pelo país, reforçando o papel do sistema prisional também como espaço de reconstrução de histórias e oportunidades de recomeço.



